Não tente mudar o outro; mude você!

O Dilema das Redes: um filme essencial para os dias atuais!

O Dilema das Redes: um filme essencial para os dias atuais!



Nada de Grandioso entra na vida dos mortais sem uma maldição.(Sófocles)


É com esta citação super cabível e providencial que se inicia o ótimo documentário o Dilema das Redes do streaming Netflix...


No filme, ex-chefes e criadores das redes sociais mais influentes e poderosas do planeta contam seus bastidores e expõem o poder que adquiriram, causando assim um vício coletivo e em larga escala, bem como a manipulação do ser humano por sistemas criados por eles mesmos criaram e, por isso, nos alertam, sobre os perigos e riscos de toda esta influência, além de um pedido para que algo seja feito. 


Particularmente falando, acredito que a película apresenta um tom muito alarmista e alguns excessos em sua visão geral sobre o avanço das redes sociais e de seus algorítimos, contudo, ela abre um importante debate e reflexão sobre a forma que o ser humano vem abrindo mão da vida real pela vida virtual...


Sendo assim, gostaria de me ater às questões psicológicas que impactam a vida do homem e estão fazendo com que o mesmo mergulhe em um mundo distante do seu, o fazendo permitir que sua qualidade de vida se esvazie... São elas:


- Afastamento do mundo presencial e um mergulho no mundo virtual:

Ao mesmo tempo que a internet diminuiu o distanciamento entre as pessoas, ela também afugentou o desejo por ampliação de novos horizontes. Se tornou normal abrir mão de encontros pessoais e sociais, ocasionando em barreiras psíquicas e transformando o homem em um ser mais solitário e egoísta.


- Imersão na política da perfeição e da felicidade:

Muitas redes sociais aprimoraram a ideia de uma vida perfeita e que deve ser aproveitada em sua plenitude. O que deveria ser algo positivo acabou se transformando em motivo de lágrimas e frustrações: da transmissão da idéia de que é proibido sofrer, surgiram padrões de felicidade e beleza praticamente impossíveis de ser alcançados... O resultado: uma enxurrada de gente ansiosa e depressiva, tentando a todo custo esconder seus defeitos e imperfeições, exibindo uma máscara de falsos sorrisos, carregando por baixo uma infinidade de dores e tristezas.


- Vitimização, valorização e permanência nas próprias dores:

A política da perfeição e da beleza trouxe consigo um algós: pessoas que não se encaixam e que não conseguiram reproduzir suas exigências, se juntaram e criaram espaços para poder falar sobre suas dores... Seria incrível, se essas pessoas, na verdade, estivessem dispostas a trabalhar as suas questões. Infelizmente, a triste realidade é que estes grupos optam por se manterem imersos em seus sofrimentos e falando de si mesmos, sem querer, de fato, fazer algo por sua saúde mental. Sofrer é melhor que encarar a realidade...


- Preocupação em Excesso com a Opinião Alheia:

E quantas vezes alguém já fez ou deixou de fazer alguma postagem, pensando se ela iria  ou não, alcançar muitas curtidas ou comentários? Pois é: todo dia deixamos de expressar aquilo que realmente queremos, por conta da opinião alheia nas redes... Muitos são os que trazem esse hábito consigo, para as suas vidas fora da internet, optando por se calar e sufocar os seus pensamentos, trazendo para si muitas doenças psíquicas, por conta deste silêncio.


- Afastamento do Senso Crítico e mergulho em "verdades" ideológicas ou fake news:

Ao mesmo tempo que os algorítmos ajudam o usuário trazendo para ele assuntos do seu interesse, também podem atrair pessoas com ideias próximas. Infelizmente muitos destes temas são controversos ou falsos e não expõem a necessidade de crítica e reflexão. O resultado: grupos ideológicos, incapazes de se colocar no lugar do outro e de aceitar as diferenças são formados e dificultam o diálogo, que é tão importante para uma  vida em sociedade psicologicamente saudável. Pessoas que podem ser comparadas a crianças birrentas e mimadas, que esperneiam e gritam, quando tem seus desejos negados ou confrontados.


- Limitações nos convívios sociais:

Um dos fatores de maior relevância na preocupação pelo vício nas redes sociais está relacionado a este tema; a imersão na vida virtual é tamanha, que falta em muitos o desejo em olhar e viver a vida como ela realmente é... Adolescentes são os mais afetados e a situação é de extrema preocupação, justamente, pelas nuances comportamentais da faixa etária.


Para além das questões políticas existentes no documentário, como os riscos de guerras civis e influências políticas, dos quais prefiro não incluir nesta reflexão, é importante ressaltar que a película aponta a necessidade de medidas para dirimir os malefícios que, infelizmente chegaram, paralelamente, com os avanços da internet no mundo...


Deixá-las de lado é algo impossível e, portanto, seria injusto e perverso negar que boa parte de toda essa influência trouxe enormes avanços, em diversas áreas, contudo, é preciso tomar cuidado para não ser atropelado e sufocado pelo lado negativo da influência das redes... Muitos profissionais da saúde mental apontam que o caminho de uma vida de qualidade está pautada no equilíbrio e é este o meu convite para você, que está acompanhando este texto: esteja sensível e reflexivo sobre o uso destas plataformas e do que elas te apresentam. 


Você consegue usá-las e, ao mesmo tempo, realizar atividades longe das mesmas? Você costuma participar ativamente de grupos virtuais, mas, fica incomodado ou desconfortável na presença real de outras pessoas? Ao receber alguma notícia bombástica e polêmica, opta por verificá-la ou acredita ser verdade e vai logo espalhando? Suas postagens são sempre pensadas para impactar o outro e não para preencher a si mesmo? Suas fotos são recheadas de efeitos e sorrisos que não condizem com a sua aparência ou a sua realidade emocional do momento? Quando você desabafa e pede ajuda em um grupo, está realmente disposto a resolver suas questões ou quer apenas que alguém choramingue contigo?


É evidente que cada caso é um caso e nem todos se identificarão com as questões abordadas aqui, mas, é importante uma constante avaliação do nosso posicionamento frente as redes e de como elas impactam a nossa vida psicológica, pois, se vivenciamos tais dilemas, as possibilidades de entrar nos vícios e nos riscos apontados pelos entrevistados serão grandes, trazendo consequências equivalentes aos de vícios como os do álcool e das drogas, onde inicialmente nos sentimos abraçados e sem nos dar conta, vamos nos sentindo envolvidos no desejo por mais e mais, culminando assim, num sufocamento e opressão, tornando a vida cada vez mais difícil e insustentável.


A reflexão pode parecer trágica demais e até mesmo apocalíptica, eu sei, mas, é uma realidade que precisa ser pensada... Nunca, na história humana, os números referentes a ansiedade, depressão, suicídios, entre outros acontecimentos, estiveram tão altos e os mesmos batem com o crescimento da utilização do universo virtual... Seria uma mera coincidência?


Não defendo a saída das redes e tão pouco o abandono do mundo virtual... A utilização é irreversível e acredito que jamais alguém queira sair dela! Porém, o uso pode ser feito de maneira saudável, consciente e de uma forma onde se possa extrair o melhor que a internet pode oferecer... É preciso ser crítico, reflexivo, vigilante, respeitoso, empático e entender que existe vida real após o mundo virtual, esperando por você, por mim e por nós... Capacidade de viver e disseminar isso, todos temos... Depende de cada um de nós. Pense nisso! 


Jansen Santos Sarmento da Silva - Doctoralia.com.br 


Psicólogo Jansen Sarmento

CRP: 05/38624

(21) 98337-2725 - 99131-6295

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