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Setembro Amarelo: por que precisamos falar sobre suicidio?

Setembro Amarelo: por que precisamos falar sobre suicídio?




O Setembro amarelo é conhecido mundialmente como o mês de prevenção ao suicídio e a campanha foi lançada aqui no Brasil pelo Centro de Valorização da Vida no ano de 2015. 


Mesmo que o assunto deva ser discutido durante todo o ano, é em setembro que o tema é reforçado e trabalhado por diversas instituições do país e do mundo.


No Brasil, o suicídio ocupa o quarto lugar no ranking das causas de mortes mais comuns entre os jovens e segundo a Organização Mundial de Saúde, é a segunda causa mais comum de morte em pessoas com idade de 15 a 29 anos. São 32 pessoas tirando a própria vida no país e em todo o mundo, uma pessoa comete suicídio a cada 40 segundos.


Infelizmente, o assunto ainda é tratado como um tabu e muitos são os que evitam falar sobre o tema, com receio de incentivar a ideia. Porém, vale dizer que o diálogo sobre o suicídio se faz extremamente necessário.


A origem do Setembro Amarelo?


O casal Dale Emme e Darlene Emme foram os responsáveis por dar o pontapé inicial a campanha de prevenção ao suicídio. Mike Emme, filho do casal, se matou com 17 anos no ano de 1994. O jovem era reconhecido por ser uma pessoa caridosa e pela paixão por mecânica.


Este apaixonamento o levou a restaurar e pintar de amarelo um Mustang 68, que foi apelidado de Mustang Mike. Infelizmente, o bom caráter e o amor por carros lhe impediram de tirar a própria vida; nem a família ou amigos perceberam os sinais que Mike teria dado em vida para cometer o suicídio.


No seu funeral, uma cesta com cartões e fitas amarelas estava ao alcance de todos que quisessem pegar um cartão. A ideia partiu dos amigos de Mike e foram confeccionados quinhentos cartões com fitas amarelas, com um recado para quem pegasse: "se você precisar, peça ajuda". Os cartões chegaram a todos os cantos dos Estados Unidos e, surpreendentemente, os pedidos de ajuda começaram a surgir.


Por isso, a fita amarela se tornou o símbolo do programa que ajuda aqueles que querem tentar suicídio a buscar ajuda. No ano de 2003, a OMS declarou o dia 10 de setembro como o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio e o amarelo tornou-se a cor escolhida para representar oficialmente o movimento.


O receio de falar sobre o suicídio


Mesmo com a ampla divulgação do setembro amarelo, falar sobre o suicídio ainda continua um tabu, em decorrência de uma crença generalizada de que o tema possa ser o ponto de partida para que muitos atentem contra a própria vida. 


Tal indução é conhecida como Efeito Werther e ganhou esse nome por causa do livro Os Sofrimentos do Jovem Werther, publicado em 1774. Na história, o personagem se suicida e na época, o livro foi considerado a causa de uma onda de suicídios entre os jovens europeus. Posteriormente o Efeito Werther foi comprovado de forma científica, sendo então apelidado como suicídio por imitação.


Além disso, as mortes de diversos famosos,  entre eles, Marilyn Monroe, em 1962, Kurt Cobain, em 1994 e Robin Williams, em 2014, trouxeram consigo um aumento expressivo de suicídios nos EUA, após sua divulgação pela imprensa. Por este motivo a OMS aconselha a mídia a não expor as formas e os processos de suicídios, a fim de que não haja incentivos.


Contudo, vale ressaltar que nenhuma das fatalidades cometidas por estes astros foram a real causa do aumento subsequente destas mortes. Os que buscaram o suicídio após tais notícias já traziam consigo este desejo. Pessoas com depressão, esquizofrenia ou transtorno bipolar, por exemplo, podem ser extremamente vulneráveis ao Efeito Werther, quando não tratadas.


Ao contrário do que muitos pensam, conversar sobre o assunto é de grande valia, pois, pode trazer alento e diminuir a impressão sentida pelo suicida de que só a morte poderá lhe trazer sua tão sonhada paz de espírito.  Demonstrar que essas pessoas não estão sozinhas é o primeiro passo para a prevenção e combate.




É importante estar atento aos sinais


Pessoas com pensamentos suicidas demonstram sinais de alerta, portanto,  vale a pena ficar atento a determinados tipos de atitudes e comportamentos. Entre elas:


Desinteresse em realizar atividades (mesmo aquelas que mais gosta); falta de produtividade, seja no trabalho ou em sua instituição de ensino; isolamento de pessoas próximas e dos familiares; desleixo com a aparência; pouca valorização da vida cotidiana; interesse excessivo por assuntos ligados a morte.


Caso você conheça alguém que esteja passando por uma ou várias dessas situações, seja empático e converse com ela. Contudo, é importante que o diálogo este despido de julgamentos, opiniões e achismos sobre a vida da pessoa; deixe-a falar, mostrando que a sua única intenção é ajudar e se solidarizar.


Tão importante como a conversa e a empatia é incentivar esta pessoa a procurar por  ajuda especializada. Tratamento psicológico e psiquiátrico serão fundamentais para a estabilidade emocional, bem como a percepção de que a preservação da vida será sempre a melhor opção. 


E ATENÇÃO: se você perceber que este conhecido pode tomar qualquer atitude que atente contra a própria vida, não a deixe sozinha, em qualquer hipótese; busque por serviços de emergência ou alguém de confiança, que possa lhe dar algum suporte, naquele momento.



O setembro amarelo é o mês de conscientização, mas, a atenção, ajuda e incentivo pela valorização da vida, devem acontecer todos os dias do ano. Pense nisso e fique em alerta.


Psicólogo Jansen Sarmento

CRP: 05-38624

(21) 98337-2725 - (21) 99131-6295

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